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"Amor é o trivial que encanta, o susto que a ninguém espanta, é cantar sem saber por quê."


segunda-feira, 30 de abril de 2012

12º Capítulo - 2

Diego terminou com Lani e ela não sabe o porquê, ele terminou porque ficou com Michele e não teve coragem de contar para Lani que a traiu, então omitiu e terminou tudo com ela. Matheus convida Emanuelle para sair, ela aceita porque quer descobrir o motivo de Diego terminar com Lani e ele é o melhor amigo de Matheus. Henrique vê Lani tocando e a convence a participar das aulas de músic, ela não  queria, mas depois se rende. Para ler, clique AQUI.



            Emanuelle sentou na cadeira que Matheus puxara para ela e então o olhou sorrindo.
            _Aqui estamos.
            _Primeiro encontro. – Ele completou se sentando também.
            Ela sorriu concordando e então se olharam sem graça.
            _Você disse que queria conversar algo comigo... – Matheus disse a lembrando.
            Emanuelle mexeu as mãos nervosa. Como introduzir um assunto que não lhes dizia respeito num primeiro encontro? Ela sabia que questionar sobre Lani e Matheus poderia acabar com o clima bom, mas não podia desistir. Precisava fazer algo por Lani.
            _Depois falamos sobre isso. Conta pra mim, o que tem feito nesses últimos dias?
            _Nesses últimos dias?
            _É. – Ela disse sorrindo. – Você disse que andava sem tempo.
            _Ah! – Matheus riu. – Nada demais, estava me concentrando nos estudos, sabe. Comecei a trabalhar nos fins de semana também, acho isso importante.
            _Que legal. Fazendo o que?
            _Bom, tenho ajudado meu pai na padaria, em troca ele me libera uma graninha. Não é grande coisa, mas meu pai tava mesmo precisando de alguém para ajudá-lo e eu precisando de um emprego. Então tivemos a ideia.
            Emanuelle sorriu:
            _Com certeza já é um começo.
            Ele concordou sem graça.
            Ela pegou o cardápio quando percebeu que ele não falaria mais nada.
            _Tem passado muito tempo com Diego? – Perguntou largando o cardápio.
            Matheus a olhou curioso.
            _Estudamos juntos, então sim.
            Emanuelle riu e então tocou seu braço:
            _Você não perde a oportunidade né?
            Ele sorriu e tocou em sua mão com carinho.
            Emanuelle devolveu o sorriso e puxou lentamente a mão de volta, não queria desviar o foco da conversa.
            _Ele te contou o que anda acontecendo com ele?
            _Não entendo. Por quê? Tem alguma coisa errada?
            Emanuelle inclinou se aproximando mais dele:
            _Está tudo errado. Ele terminou com Lani e sequer deu uma explicação!
            _Ah! Você está falando disso?
            Ela se ergueu novamente e cruzou os braços olhando para Matheus, ele não parecia nem um pouco interessado em conversar sobre o assunto.
            _Eles parecem tão perfeitos um para o outro. Você não acha? Sei lá, eu queria entender o que está acontecendo com ele. Porque pelo que Lani me contou, ele não queria terminar com ela, mas ainda assim terminou. É tão confuso!
            _Diego me contou por alto o que está acontecendo, mas sério, Emanuelle, não acho que isso nos diga respeito. Não quero conversar sobre isso, Diego é meu amigo e não quero ter que esconder qualquer coisa de você.
            Emanuelle sentiu seu coração palpitar ao ouvi-lo dizer aquelas palavras.
            Somente ao vê-la passar a mão nos cabelos sem graça foi que percebeu o quanto suas palavras foram fortes e que ela poderia não ter gostado.
            _Eu acredito que em qualquer relacionamento, independente de qual seja, deve ser construído sobre a honestidade e confiança. Por isso quero ser sincero com você. É lindo sua preocupação com os dois, mas não podemos fazer nada, Emanuelle.
            _Sabe, Matheus, conheço Lani há tão pouco tempo, mas já me sinto profundamente ligada a ela. Ela ficou péssima com tudo o que aconteceu e vê-la assim também me deixa péssima. Além do mais, não gosto de nada confuso, nada que eu não entenda.
            Matheus sorriu e então se aproximou dela.
            _Você é linda, sabia? A preocupação com Lani e tudo mais...
            Emanuelle devolveu o sorriso.
            _Mas infelizmente não posso te ajudar. A não ser te dizer que nesse caso o tempo talvez seja o único remédio.
            _Só me diga uma coisa então. – Ela pediu. – Foi culpa de Lani? Alguma coisa que ela fez errado?
            Matheus olhou para o chão e em seguida passou a mão no cabelo.
            _Acho que podíamos fazer o pedido, não é?
            Emanuelle entendeu, aquilo queria dizer assunto encerrado. Isso só podia significar uma coisa, fora sim alguma coisa que Lani fizera.
            Depois de finalmente fazerem o pedido, Matheus olhou para Emanuelle e então respondeu o que ela achava que não teria resposta.
            _Não foi culpa de Lani, talvez a atitude dela em relação a Samantha tenha contribuído um pouco, mas não acho que foi o verdadeiro motivo.
            Emanuelle balançou a cabeça concordando.
            A cada momento aquele término parecia mais estranho e ela sentia ainda mais necessidade de descobrir a verdade.
            Matheus tentou não pensar no que dissera, sabia perfeitamente que Lani não tinha culpa nenhuma, então deixar ela se sentir culpada seria a pior covardia que ele poderia fazer.


            Lani ouviu o telefone tocar e sem se mexer na cama, esticou o braço e o levou ao ouvido.
            _Oi.
            _Já está dormindo? – Ouviu a voz de Emanuelle do outro lado.
            _Não tenho mais namorado, ficante ou qualquer outra coisa do gênero.
            Emanuelle riu:
            _Mas tem amigas!
            _Que estava num encontro... Então fui mesmo dormir, estava comendo brigadeiro e assistindo um filme idiota só pra não ficar pensando no quanto eu sou deprimente.
            _Para já com isso, Lani! Não fique se torturando!
_Ta certo, não precisamos ficar falando da minha solidão, vamos, me conte como foi o encontro! Apesar de que imagino que foi bem esse estranho... Plena segunda-feira! Só podia ser mesmo Matheus.
            Ouviu a voz de Emanuelle revoltada:
            _Por quê?
            Lani riu:
            _Estou só brincando. Só querendo dizer que ele não é muito normal.
            Emanuelle riu:
            _Ele é um fofo. E além do mais, ele anda trabalhando final de semana, por isso só pode sair durante a semana.
            _Fofo? – Lani riu. - Certo. Como foi o encontro?
            _Matheus é ótimo, legal, divertido e parece ser bem carinhoso.
            _Rolou beijo?                                                       
            Emanuelle riu:
            _Não, nem quase rolou. Parece que as coisas com ele andam devagar, e sabe? Estou adorando isso. No final ele me levou até na porta de casa, me deu um abraço apertado e beijou meu rosto demoradamente... Ah, foi perfeito! Quando eu estava entrando em casa me chamou e disse que logo iríamos repetir a dose e que adorou sair comigo.
            _Que ótimo! Bom, acho que quase rolou beijo sim... – Lani disse rindo. - Mas o que conta é que você está gostando do jeito como ele está conduzindo as coisas. Isso sim é o que conta afinal. Mas e Samantha? Ele comentou alguma coisa dela?
            _Ele nem é doido! Se tivesse feito isso eu teria saído correndo de lá. – Emanuelle disse brava, mas depois se acalmou. – Mentira, eu o ouviria com atenção.
            Lani riu.
            _Lani, conversei com ele sobre Diego.
            _Conversou? Você é louca! Mas e aí? – Lani perguntou se sentindo ainda mais acordada.
            _Ele não quis dizer exatamente nada. Disse que não quer conversar sobre esse assunto comigo e que o melhor remédio para vocês dois é o tempo.
            _Tempo? Para! Ah! Que ódio! – Lani disse levantando revoltada da cama.
            _Calma. Perguntei para ele se a culpa era sua.
            _E aí?
            _Ele demorou uma eternidade para responder, chamou a garçonete, fez o pedido, achei que não ia falar mais nada sobre o assunto. Mas aí quando menos esperava ele me disse que acreditava que não, que colaborou, mas que não foi o motivo.
            _Como assim? Droga! Se isso não foi o motivo, foi o que então? E colaborou? Como?
            _Ele disse que sua atitude em relação a Samantha pode ter contribuído, mas que ele acredita que não foi o único motivo. Andei pensando, acho que só tem uma coisa que você pode fazer agora.
            _O que? – Lani perguntou impaciente.
            _Acho que você deveria ir conversar com Samantha, dizer que aceita o perdão dela e tentar um recomeço. Depois disso você vai conversar com Diego, conta o que fez, faz uma declaração e pronto! Acho que isso vai derreter o coração dele.
            Lani pensou por alguns segundos.
            _É, acho que vale a pena tentar. Farei isso amanhã mesmo, não aguento nem mais um dia com essa dor. Mas olha só, também tenho novidades.
            Contou em detalhes tudo o que tinha acontecido no auditório e então ouviu a vibração de Emanuelle do outro lado da linha:
            _Lani! Isso é perfeito! Já tinha passado do tempo né? Você nasceu para a música, garota!
            Lani riu contente:
            _Sabia que você ia gostar, na verdade, acho que só você mesma pra me animar quanto a isso. Não sei se estou muito feliz com essa ideia... Voltar a cantar e ainda passar mais tempo perto de Samantha e Diego. Não estou muito segura que tenha sido a melhor escolha.
            _Claro que foi! Já se esqueceu? Amanhã mesmo você vai conversar com Samantha, vão se perdoar e você vai voltar para Diego. Então vai ser perfeito! Um final feliz para alguém que tanto esperou.
            Lani ouviu Emanuelle falar animada e respirou fundo.
            Por que não conseguia acreditar naquilo também?

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Oiii, pessoinhas lindas!!

Sempre corrido.. mas nunca esqueço de passar por aqui e me deliciar com o blog de vocês! 

Comentem sobre essa nova parte, ok? O que estão achando? Será que Emanuelle estar certa em acreditar que Lani e Diego podem reatar? E Emanuelle e Samantha? Será que a amizade das duas pode renascer? Conte pra mim a sua opiniãoo!!

Bjoos mil!

quarta-feira, 28 de março de 2012

12º Capítulo - 1

Parte anterior: Diego se vê diante da escolha: Contar para Lani que a traiu com Michele ou terminar tudo com Lani sem dizer a verdade. E ele escolhe ocultar o que aconteceu, deixando Lani sem escolha quando termina com ela sem dizer o verdadeiro motivo. Lani fica arrasada, pois percebe que é apaixonada por ele. Para ler, clique AQUI!



             Segunda-feira.
            Emanuelle entrou na biblioteca pensativa, tinha passado o domingo na casa de Lani e não conseguia entender o que havia acontecido com Diego.
            Quem poderia entender os homens?
            Ver como Lani estava péssima fez com que ela percebesse que também não estava bem.
            Todos aqueles acontecimentos, aquela atitude inexplicável de Diego fez com que se sentisse vulnerável, insegura quanto ao amor. Tudo tão arriscado, tão inseguro, nada garantido... O amor parecia ser algo que podia te fazer feliz num minuto e extremamente infeliz no seguinte.
            Percorreu pensativa a biblioteca quando esbarrou em alguém, assustada levantou os olhos.
            _É, parece que só nos encontramos na biblioteca. – Ela disse sorrindo.
            Matheus sorriu também:
            _Resolvi finalmente estudar... – Ele riu nervoso e então relaxou. – Mentira, vi você entrando e te segui.
            Emanuelle riu e então se lembrou de Lani, talvez Matheus pudesse ajudar a entender o que havia acontecido, afinal ele era amigo de Diego.
            _Acho que te devo desculpas né? – Ele disse um pouco envergonhado. – Prometi um encontro já faz algum tempo e não fiz nada.
            Emanuelle sorriu:
            _Você mudou de ideia, tudo bem, eu não vejo problema nenhum nisso. Talvez tenha sido melhor assim.
            _Mudei de ideia? Claro que não! Como pode pensar isso? Na verdade só está tudo muito corrido pra mim, e também precisava de tempo, colocar as coisas no lugar.
            Emanuelle revirou os olhos e sorriu rapidamente.
            Que ótima desculpa! Todos os homens pareciam tão iguais. Por que tudo devia acontecer no tempo deles? Pensava revoltada quando ouviu Matheus dizer receoso.
            _Que tal jantar comigo hoje?
            Ela olhou pra ele e decidiu não se render tão fácil.
            _Você tinha prometido um primeiro encontro incrível... – Não terminou a frase, mas esperou que ele entendesse o que ela queria dizer.
            Ele entendeu.
            _Eu tive algumas ideias, mas não vejo nada demais elas ficarem para um segundo encontro.
            Emanuelle pensou por alguns segundos e então lembrou-se de Lani. Aquele jantar seria perfeito para tentar entender a atitude idiota de Diego.
            _Tudo bem, eu preciso mesmo conversar com você. Aceito o jantar.
            Ele sorriu satisfeito.


            Já era fim de tarde e a escola estava quase completamente vazia.
            Lani entrou no auditório e caminhou devagar até o palco.
            Como aquele lugar mudara, antes era menor, e não tão bonito. Mas apesar das mudanças, continuava impregnado de lembranças, momentos vividos quando Lani e Samantha eram boas amigas.
           
            Samantha correu rápido e pulou para o palco. Gabriel veio logo atrás e Lani chegou por último tentando manter a respiração, nunca fora muito boa com exercícios físicos.
            O auditório estava vazio. Somente os três.
            _Anda, Lani, toca pra gente!
            Lani sentou e tocou os dedos no teclado.
            _Acho que deveríamos cantar algo bem sexy hoje. – Gabriel disse rindo.
            Lani o olhou surpresa e Samantha pulou nas costas dele rindo:
            _Quem vê assim até pensa que você canta.
            Gabriel riu.
            _Certo, então acho que vocês deveriam cantar algo bem sexy hoje.
            _Para, ele nem canta tão mal assim, Sam!
            Samantha gargalhou alto:
            _E você é uma péssima mentirosa, Lani. Mas conta pra gente, Nino, por que algo sexy? Conheceu alguma garota é? Pode contar tudo pra gente.
            Gabriel agarrou Samantha pela cintura e a fez sentar se no mesmo banquinho de Lani.
            _Vamos cantar, Sam! Isso é o que importa!
            _Gabriel! – Lani quase gritou. – O que você pensa que pode esconder da gente heim?
            Gabriel riu.
            _Para, meninas. Não tem nenhuma garota, ta? Pelo menos não ainda.
            _Ainda? – Samantha e Lani gritaram em coro.
            _Gabriel, eu sempre te conto dos meus relacionamentos, não pode esconder os seus da gente!
            Lani disse sem segurar a risada:
            _E olha que os dela não são poucos!
            Samantha deu uma tapa de leve em Lani e olhou para Gabriel.
            _Tudo bem, Gabe. Te damos uma semana pra contar pra gente, combinado?
            Gabriel riu e então Lani começou a tocar.

            Agora, ali, depois de tanto tempo, ela ainda podia ouvir a voz de Gabriel desafinada tentando acompanhar as duas garotas, que cantavam uma música animada. Era sempre assim o fim de tarde, a alegria era rotina.
            Tudo parecia tão simples, sincero, inocente e perfeito. Quando foi que tudo aquilo se perdera?
            Uma lágrima correu dos olhos de Lani quando ela subiu até o palco e passou lentamente a mão sobre o piano.
            Ninguém podia imaginar...  Se pelo menos alguém pudesse prever o futuro. Se pelo menos alguém tivesse avisado que o destino lhes pregariam uma peça, que a amizade seria testada, talvez tivessem sido mais fortes. Talvez tivessem sobrevivido.
            Sentou perto do piano e deixou seu dedo percorrer lentamente cada tecla. Fazia tanto tempo que não tocava e sentia tanta saudade.
            Lá estava ela de novo, de frente ao mesmo piano. Mas nada era igual.
            Não tinha mais Gabriel.
            E também não tinha mais Samantha.
            Mas tinha ela, com a dor, com o medo e com a raiva.
            Deixou que seus dedos começassem a tocar uma música. Começou com algo nostálgico, melancólico e sem vida. Notas arrastadas que saiam do coração dela, notas acompanhadas pelas lágrimas que molhavam sua face e exprimia tudo que estava guardado ali há tanto tempo e que nunca fora dito.
            Todas aquelas notas eram para Gabriel. Queria dizer que sentia muito, que estava com saudades e que o amava ainda. Queria que ele soubesse o quanto estava arrependida, poder dizer que tinha tomado a decisão errada e que por conta disso tudo tinha acabado, mas que nunca fora sua intenção.
            Quando por fim a tristeza foi expressa, as lágrimas secaram e então começou a tocar algo mais forte, seus dedos batiam com força nas teclas do piano. Era a raiva, raiva de Diego, raiva de toda aquela situação. Raiva por sua vida ser tão difícil.
            Os seus dedos se moviam com precisão e força, assim como o seu rosto expressava o mesmo sentimento emitido pelo som. Seu cabelo mexia com os movimentos da sua cabeça, que acompanhava a música cheia de revolta.
            Até que tudo finalmente acabou, e ela sentiu o seu peito se apertar numa dor ainda maior, a dor do vazio, de olhar e não ver um futuro, de não ver nada. Os dedos foram parando lentamente e quando não mais se moveram sua cabeça também caiu sobre o piano e dos seus olhos lágrimas se negaram a correr.
            No entanto, embora houvesse parado de tocar, o silêncio não havia chegado. Ela podia ouvir um barulho, aplausos fortes que se aproximavam dela.
            Alguém estava no auditório e a ouvira tocar.
            Cansada e surpresa, Lani levantou a cabeça e então viu, parado na sua frente, ainda batendo palmas, o professor de música, Henrique.
            _Quem é você? E por que não está nas minhas aulas de música?
            Lani engoliu em seco.
            Pegou sua bolsa que estava no chão e ficou de pé, estava disposta a sair rápido dali.
            _Espera! – Ele pediu segurando o seu braço. – Estou falando sério aqui, mocinha.
            _É Lani. – Ela disse seca. – E não estou nas suas aulas de música porque não toco mais, nem canto. Não existe mais música na minha vida.
            _Então o que foi isso se não foi música?
            _Foi sentimento, foi raiva, tristeza, dor. – Ela disse lentamente.
            Ele soltou seu braço devagar e disse emocionado:
            _Nunca vi nada mais perfeito em toda minha vida. Não de alunos.
            _Tenho que ir.
            _Por favor, não vá. Você canta também?
            _Não mais, já disse que não existe mais música na minha vida.
            Ele balançou a cabeça incrédulo.
            _Não acredito. Não pode mentir desse jeito para mim, eu vi como você tocou! Garota, você tem o talento que eu estava procurando. Você tem emoção na sua música, tem vida! Eu preciso de você nas minhas aulas! Aliás, eu não sei como você pode estar em outro lugar... O seu lugar é aqui nesse auditório!
            _Já me inscrevi nas aulas de desenho, não posso mudar.
            _Isso não é problema. Eu posso fazer sua transferência num segundo.
            _Mas eu não quero. Será que você não entende?
            _O que? Não, eu não entendo por que uma garota tão talentosa está enterrando seu talento. Não entendo!
            Lani caminhou devagar até a cadeira do auditório e se sentou. Henrique fez o mesmo.
            _Antes a música era alegria, era amizade, dias de sol... A música era tudo! E... Eu não podia me imaginar sem ela, era como se faltasse o ar, a vida. Mas agora? Agora... –Ela respirou fundo os olhos cheios de lágrimas. – Agora... Agora a música é dor! É nostalgia, melancolia, aperto... Eu não posso mais! Porque não existe mais alegria, amizade ou dias de sol, não existe mais nada disso.
            Ele tocou com carinho na mão dela:
            _Pois então vou te apresentar um lado da música que talvez ainda não conheça. A música é refúgio, é terapia, ela alcança os lugares da nossa vida que mais nada alcança. Você só precisa saber colocar todo esse sentimento na música, na melodia... E então você vai ver como tudo vai ficar mais fácil!
            _Não é tão simples assim, não quando a música te causa dor! É diferente!
            _Escuta, Lani. Você não pode colocar a culpa na música, não foi ela que provocou os problemas da sua vida. Você não pode impedir que pessoas se emocionem ouvindo a sua música. Sabe por quê? Porque a música te escolheu. Não é qualquer pessoa que consegue colocar em simples notas todos os sentimentos que passam no profundo da alma. Não é qualquer pessoa! E você consegue! Lani, você consegue emocionar com a sua música, consegue atingir a alma de outra pessoa apenas tocando num piano!
            Lani respirou fundo tentando digerir tudo o que ouvia.
            Não queria se render, tinha medo. Mas também não podia deixar de se sentir emocionada diante das palavras do professor.
            _Por mais que no começo doa, depois você vai ver como a música vai tornar as coisas mais fáceis pra você, ela vai ser a porta.
            _E se eu não conseguir? Eu não sou tão boa assim. Tenho medo de só abrir mais feridas, mais mágoas.
            _Eu prometo de ajudar. Sim, no que for preciso, Lani. Eu estarei aqui.
            Lani respirou fundo e fechou os olhos por alguns segundos. Sentia-se tentada a participar das aulas de música, mas tinha tanto medo de fracassar. Tinha medo da dor, do passado e de todo mal que poderia lhe acontecer.
            _Vamos, Lani. Por favor, aceite.
            _Você só me viu tocar uma vez, nem sabe se sou boa de verdade.
            _Te ouvir tocar uma vez foi suficiente pra mim. Mas já que você prefere, cante uma música pra mim. Quero ouvir sua voz.
            Lani subiu novamente no palco, pegou um violão guardado na sala de instrumentos e alguns segundos depois começou a tocar e cantar.
            _ “Invernos. Impérios. Mistérios. Lembranças. Cobranças. Vinganças. Assim como a dor que fere o peito, isso vai passar também. E todo o medo, o desespero e a alegria, e a tempestade, a falsidade e a calmaria, e os teus espinhos e o frio que eu sinto, isso vai passar também.” ¹
            Henrique aplaudiu empolgado.
            _Perfeito! Quarta-feira te vejo na minha aula!

Continua ... 

             ¹ Tempo - Sandy